Espaço Geográfico, Turismo e Poder: desafios para o planejamento e a gestão territorial

O turismo exerce influência direta e profunda sobre o espaço geográfico, uma vez que reorganiza territórios, redefine usos do solo e imprime novas dinâmicas sociais, econômicas e culturais.

Espaço Geográfico, Turismo e Poder: desafios para o planejamento e a gestão territorial

O turismo exerce influência direta e profunda sobre o espaço geográfico, uma vez que reorganiza territórios, redefine usos do solo e imprime novas dinâmicas sociais, econômicas e culturais. Conforme o geógrafo Milton Santos, o conceito de rugosidade refere-se às marcas físicas e simbólicas que persistem no espaço, revelando camadas de tempo e de história inscritas na paisagem. Essas rugosidades constituem heranças do passado que resistem às transformações, expressando a memória, a cultura e a identidade dos lugares.

A esse entendimento soma-se o conceito de território, que etimologicamente remete à ideia de terra pertencente a alguém. Na Geografia, o território é compreendido como um campo de forças, estruturado por relações de poder, no qual se manifestam disputas políticas, econômicas e simbólicas. Processos históricos como a colonização, as guerras e a apropriação territorial por interesses econômicos, inseridos em um contexto capitalista de dominação, deixam marcas profundas no espaço geográfico, materializadas tanto na paisagem quanto nas práticas sociais.

Diante da ausência ou fragilidade de políticas públicas voltadas ao ordenamento e à gestão do turismo, emerge o fenômeno do overturismo, também denominado turismo de massa. Esse modelo caracteriza-se pela exploração intensiva dos destinos, desconsiderando a capacidade de carga dos territórios, o que frequentemente resulta no deslocamento da população residente para áreas periféricas ou até mesmo para outras localidades. As consequências do overturismo são severas: degradação ambiental, sobrecarga da infraestrutura urbana, impactos negativos na economia local e agravamento dos problemas de mobilidade. Além disso, observa-se a perda progressiva da identidade dos lugares, que passam a se configurar como “não lugares”, a exemplo de grandes estações rodoviárias, resorts padronizados e condomínios  fechados.

Nesse contexto, os mapas de orientação turística vêm ganhando destaque no cenário nacional como instrumentos estratégicos para a gestão e o ordenamento do turismo. A cartografia aplicada ao turismo desempenha papel fundamental na organização espacial dos roteiros e na orientação dos visitantes, ao apresentar informações de forma clara, objetiva e acessível. Assim, os mapas de orientação tornam-se elementos essenciais para a receptividade turística e para a promoção de experiências mais conscientes e responsáveis.

Os pictogramas constituem componentes fundamentais da cartografia turística, funcionando como uma linguagem visual universal que facilita a leitura de mapas e da sinalização urbana. Por meio de símbolos e ícones, os pictogramas representam atrativos, serviços e equipamentos turísticos, permitindo a rápida identificação das informações, independentemente do idioma do visitante. No Brasil, sua utilização segue as diretrizes estabelecidas pelo Guia Brasileiro de Sinalização Turística, contribuindo para a padronização e a eficiência da comunicação visual nos destinos.

Dessa forma, a Geografia e a Cartografia aplicadas ao turismo oferecem aportes teóricos e práticos indispensáveis para o planejamento, o ordenamento e a gestão sustentável da atividade turística. Salvador, a Bahia e o Brasil precisam avançar de maneira consistente na ampliação da infraestrutura, na qualificação da organização territorial e no fortalecimento do planejamento turístico, garantindo não apenas a atratividade dos destinos, mas, sobretudo, o bem-estar das populações locais e a preservação de seus patrimônios culturais e ambientais.

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